Somos ou não somos co-responsáveis pelas absurdezes que pipocam nas redes sociais a cada minuto?
Não me refiro a imagens de pessoas desconhecidas, de culturas opostas em países distantes, e muito menos de pessoas que por essa ou aquela razão, nós queremos mesmo é que se danem e sejam ridicularizadas.
Me refiro a pessoas conhecidas,  amigos próximos ou parentes mais queridos. Me refiro àquela pessoa cujas fotos que publica nem sempre são apropriadas porque não condizem com a imagem profissional que deveria ou gostaria de passar.  Ou aquela que faz do Photoshop o seu maquiador preferido.  Ou ainda aquela pessoa que viaja para um país que você nunca visitou mas exibe fotos que não contam a história daquelas férias e sim  “Selfies” incontáveis das mesmas caras e bocas que vemos diariamente nas suas postagens.
E o que fazemos quando vemos tais imagens?
Repetimos os mesmos jargões: “Nossa, que linda(o)”, “Você está uma gata(o)”, “Adorei a sua foto”. "Parabéns, adorei esse vestido", "como você emagreceu ... que dieta é essa?"...
E qual a consequência do nosso comportamento nem sempre ou raramente franco?  A nossa contribuição gratuita para um narcisismo que só tende a aumentar nas redes sociais. Nós não desafiamos a criatividade dessa pessoa.  Quando ela exibe o "selfie" que tirou numa viagem de férias no qual você consegue vislumbrar apenas a sombra de  uma montanha, nós não perguntamos o que era, onde era, ou o que ela fez naquele dia.  O assunto morre ali.
Uma amiga minha viajou de férias para a Espanha e me convidou para ver as fotos na casa dela.  No final da exposição de dezenas de fotos, eu não me contive e disse: "Gostei muito das suas fotos.  Agora me mostra as fotos da Espanha?"
Eu sei, fui cruel.
Mas como seria se fossemos mais francos?  Como seria se ao vermos a foto de uma festa onde todas as mulheres aparecem elegantemente ou simplesmente bem vestidas menos a sua amiga, disséssemos: "Querida, aquele modelito não te favorece"  Ou se quando a sua amiga aparecesse numa foto, totalmente diferente, tipo outra pessoa, graças a uma "photoshopada", nós lhe disséssemos que preferiríamos uma foto dela mesma"?
Eu sei que não é tão simples assim.
É claro que ao optarmos pela omissão, pelo elogio forçado, estamos tentando evitar que a pessoa reaja de forma negativa à crítica e com isso estaremos protegendo a nós mesmos do rechaço, da saia justa.  Mas penso que ainda assim vale a pena correr esse risco.  Vale a pena se sentir bem se mesmo após o "toque", a pessoa optar por continuar se expondo ao ridículo.  Pelo menos nós estamos dando uma chance a ela para nos dizer a razão por que o fez, ou simplesmente abrindo a guarda para ela nos mandar a "M", já que ela não nos pediu opinião.
Mas, sinceramente, eu gostaria que meus amigos agissem assim comigo com mais frequência.  Eles só estariam contribuindo para o meu aperfeiçoamento pessoal, profissional ou afetivo. São poucas as vezes que eles  discordam francamente e frontalmente daquilo que eu digo ou faço. E eu não tenho dúvidas de que é por excesso de carinho.  Só que nem eu nem eles ganham com isso.
O exemplo usado foi o das imagens na internet, mas poderia ser qualquer outro tipo de comportamento social.  A lista é infindável.
Está lançada portanto a minha campanha por mais sinceridade entre amigos!

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